MINI Electric - Entrevista com Oliver Heilmer e Renzo Vitale MINI Electric - Entrevista com Oliver Heilmer e Renzo Vitale

MINI Electric - Entrevista com Oliver Heilmer e Renzo Vitale

Em sintonia com todos os sentidos. Oliver Heilmer e Renzo Vitale falam sobre design, som e simbiose no trabalho no MINI Cooper SE totalmente elétrico.

O MINI Cooper SE chegou recentemente à estrada. No entanto, o que não é imediatamente visível é que o seu design pode também agora ser ouvido. O diretor de design da MINI, Oliver Heilmer, e Renzo Vitale, designer de som do BMW Group, levantam o véu sobre o design do MINI Cooper SE e a sonoridade que o acompanha.

As imagens que ilustram esta entrevista foram obtidas na Alemanha antes da quarentena, devido ao Sars-CoV-2 e, consequentemente, às respetivas restrições de contacto.

Munique. O MINI Cooper SE chegou recentemente à estrada. No entanto, o que não é imediatamente visível é que o seu design pode também agora ser ouvido. O diretor de design da MINI, Oliver Heilmer, e Renzo Vitale, designer de som do BMW Group, levantam o véu sobre o design do MINI Cooper SE (consumo de combustível combinado: 0,0 l/100 km; consumo elétrico combinado: 14,8 – 16,8 kWh/100 km; emissões de CO2 combinadas: 0 g/km) e a sonoridade que o acompanha. A nossa conversa vai desde a atenção ao detalhe, a sonoridade MINI, a interação entre informação e sensação e a forma como um ícone do design automóvel encara o seu futuro.

MINI Electric - Entrevista com Oliver Heilmer e Renzo Vitale
MINI Electric - Entrevista com Oliver Heilmer e Renzo Vitale
Oliver Heilmer, o primeiro MINI tornou-se imediatamente num ícone. O que é que te levou a pegar num design tão familiar como este e a transpô-lo para um nível seguinte?

Oliver Heilmer (OH): Para mim, o interesse está na escala do desafio. Atualizar um ícone como este não é fácil. Quanto mais forte é o ícone – e a MINI tem uma enorme tradição – maior é a importância da inovação, mas também da continuidade. Neste caso, trata-se de suavizar a interseção, integrar o que é histórico e o que é novo; o MINI Cooper SE é simultaneamente identificável como um MINI e como um automóvel elétrico.

Isso significa que não foram necessárias muitas mudanças, no caso do MINI Cooper SE?

OH: Quando um automóvel já tem provas dadas e, por exemplo, se enquadra perfeitamente no contexto da mobilidade urbana – como o MINI 3 Portas – pode parecer que não é necessário alterar nada. Obviamente, tudo se torna um pouco mais complicado quando começamos a trabalhar. Por vezes, é mais desafiante do que desenhar um automóvel novo do zero. De forma a permitir distinguir um MINI Cooper SE totalmente elétrico de um MINI com um motor de combustão convencional, por exemplo, começámos por observar que elementos contribuem para o efeito geral. Foi impressionante constatar o impacto real que as alterações efetuadas em alguns pormenores têm no design – e subsequentemente na perceção de um MINI. Quisemos manter a ideia central do MINI e, ao mesmo tempo, piscar o olho ao futuro. Por isso, decidimos concentrar-nos em elementos específicos que diferenciam um MINI Cooper SE de um MINI com um motor de combustão.

Que pormenores do design são específicos da versão elétrica?

OH: O MINI Cooper SE, por exemplo, tem uma grelha frontal que fica, em grande parte, oculta. Como é conhecido, um veículo elétrico não necessita de ar de arrefecimento no mesmo local que um veículo com motor de combustão. É por este motivo que a grelha do MINI Cooper SE apresenta apenas uma estreita entrada de ar horizontal para a passagem do ar. A área restante da grelha é fechada e tem um acabamento num tom cinza moderno e contrastante. O sistema da tração elétrica e a subsequente sensação de modernidade estão claramente refletidos no interior do automóvel por elementos como o painel de instrumentos digital, que apresenta todas as informações relevantes da experiência de condução elétrica. Também queríamos seguir um novo caminho, com o design das jantes, que são assimétricas, quase estáticas em termos de aparência. Criámos algo que, intencionalmente, foge à descrição clássica de uma jante. A cor de realce Energetic Yellow também remete para o caráter elétrico do MINI Cooper SE e está presente em vários pontos, incluindo as capas dos espelhos retrovisores exteriores e o Badge “E” na grelha frontal, na porta da bagageira e nas Side Scuttles. Para garantir que a cor de realce tem o efeito pretendido, a restante cor exterior do automóvel é deliberadamente limitada.

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Será que a eletrificação criou uma nova abordagem ao design? Ou até mesmo um novo tipo de emoção?

OH: Claro que sim. A experiência geral é tudo. A eletrificação dá o ponto de partida para pensar em tudo de um modo fundamentalmente diferente – e não apenas em termos de estética. De uma forma mais simples, permite-nos explorar novos mundos. O que pretendemos fazer no futuro é trazer a interação dos sentidos, com os diversos elementos do design, como a forma, o som ou o cheiro de um veículo, para o MINI de forma coerente.

O MINI Cooper SE segue já uma nova abordagem do design em algumas áreas. O que pretendemos fazer na MINI, no futuro, é oferecer o design a todos os sentidos – uma interação de experiências cuidadosamente orquestrada, em vez de elementos individuais. Isto afeta diversas áreas; há um exterior e um interior, uma harmonização dos materiais e cores – que é muito importante na MINI. E depois temos a interface do utilizador. Uma questão que surge aqui é: como é que interajo com diferentes temas e o que é que vejo no visor durante este processo?

Obviamente, o som tem também um papel fundamental. O que era anteriormente um tópico sem interesse – por exemplo, criar um som para o sensor de estacionamento – pode tornar-se numa experiência emocional, com a mobilidade elétrica. Podemos decidir como deve soar um MINI elétrico, que tipo de reação emocional despoletamos com isso, que sensações pretendemos comunicar. O Renzo Vitale, por exemplo, que desenvolveu a composição para o MINI Cooper SE, explicou-me o som da forma que geralmente descrevemos o design. Percebi imediatamente que esta abordagem poderia abrir um mundo totalmente novo de experiências, para nós e para a MINI.

MINI Electric - Entrevista com Oliver Heilmer e Renzo Vitale

Renzo Vitale, és músico, compositor e engenheiro elétrico. Qual foi o principal desafio no desenvolvimento do som para o MINI Cooper SE totalmente elétrico?

Renzo Vitale (RV): Basicamente, a sonoridade de um veículo desencadeia emoções e, simultaneamente, transmite informações. O nosso objetivo foi replicar as duas faces da moeda no MINI, mas também estabelecer uma diferenciação clara entre elas. Para muitas pessoas, a sonoridade de um motor de combustão despoleta emoções fortes. Mas, desde o início, definimos que não faria sentido simular o som de um motor de combustão. Afinal, não existem mudanças de velocidade. E quando o condutor acelera, toda a energia do sistema de tração está imediatamente disponível. O tipo de som que crio, e as minhas principais fontes de inspiração, derivam do design. Para o MINI Cooper SE, por exemplo, traduzi as impressões visuais criadas pelas jantes, com os realces em amarelo, para o som.

Como é que desenvolves o som de um veículo elétrico?

RV: Começo por observar o veículo como um todo. Eu vejo-o como um instrumento. Os músicos utilizam instrumentos para criar sentimentos. Da mesma forma, o veículo deve despoletar sentimentos no condutor – e nos outros condutores também. Evidentemente, o som é também informação e estes dois aspetos – emoção e informação – devem estar representados. O veículo tem uma sonoridade diferente dependente do que fazemos aqui. O MINI Cooper SE, por exemplo, irradia um caráter amistoso, acolhedor e quase luminoso. A partir do momento que arranca, é produzido um som dinâmico que lhe dá a sensação de movimento para a frente e velocidade. Independentemente da forma como o veículo é conduzido – com um estilo mais exigente ou mais contido – o som deve poder ilustrar todos os tipos de condução e, ao mesmo tempo, refletir a marca e criar algo que possa ser experienciado. Penso que conseguimos isso com o MINI Cooper SE.

Como soa o MINI Cooper SE? Como soa um MINI?

RV: Para mim, o som de um MINI pode ser dividido em três partes: apaixonante, energético e inspirador. A MINI tem sempre um brilho no olhar, um elemento de surpresa – uma reviravolta. E isso deveria ser algo que pode experienciar com os olhos fechados. O som é uma das principais formas de expressão de um veículo, como uma voz que utiliza para comunicar connosco. Não obstante, o silêncio é também uma forma de comunicação, um elemento sonoro. Passei muito tempo a observar o MINI Cooper SE quando estava a compor o som, para que pudesse realmente captar o seu caráter. Tentei traduzir as linhas do veículo numa forma audível. A voz de um MINI é luminosa. Diz: “tens aqui um amigo”.

Para onde se dirige o design da MINI? Será que vamos, um dia, ter um Smartphone sobre rodas, envolvido numa capa icónica?

OH: Um veículo é mais complexo do que um Smartphone. Tudo o que implica a condução autónoma mostra claramente a sua complexidade. Em vez de um telemóvel sobre rodas, vemos a MINI do futuro como um “parceiro para a vida”. Muitos proprietários dão nome ao seu MINI e queremos trabalhar a partir daí, de forma muito simples e intuitiva, para que possa surgir uma verdadeira ligação – uma ligação que se estende além da condução. Não tem de ser tecnologicamente muito complicado. Acima de tudo, deve trazer um sorriso ao rosto das pessoas.

RV: É concebível, por exemplo, que o MINI possa sentir a disposição do condutor e responder com som; poderá oferecer um mundo sonoro que melhora o momento. Pode ser uma espécie de paisagem sonora, um sinal sonoro ou uma música. O veículo exprime-se e oferece aos passageiros uma sensação de companhia.

OH: Precisamente. Depois, além do som, existe também a iluminação. Não apenas em termos de informação específica que surge no visor, mas também de ambientes de iluminação. Neste caso, idealmente, pretendemos uma interação de luz e som. Um MINI transmite uma sensação de alguém com quem eu posso comunicar. Aqui, é fundamental uma abordagem abrangente – a ligação entre experiências táteis, som, sentidos e materiais. Queremos tornar esta sensação MINI em algo que os clientes possam experienciar.

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